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PSICÓLOGO ANTONIO CARLOS ALVES DE ARAÚJO(TERAPIA DE CASAL, FAMILIAR E INDIVIDUAL) C.R.P. 31341/5 RUA ENGENHEIRO ANDRADE JÚNIOR, 154 TATUAPÉ-SP-S-TELS: 66921958/93883296

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Terapia familiar (o que é e suas indicações)

 " Ou o casal e família vivem uma experiência cotidiana da máxima plenitude emocional e afetiva, ou certamente serão arrastados para as mais dolorosas vivências de angústia e abandono."

Infelizmente nossa sociedade individualista sabota processos coletivos que seriam de grande valia para o desenvolvimento e saúde mental da pessoa. Nesse contexto se insere a terapia familiar, pouquíssimo aplicada, a não ser em alguns casos de distúrbio mental severo ou drogadicção. É uma pena que a psicologia tenha priorizado a análise do indivíduo não levando em conta todas as vertentes que o atingem. Uma coisa é determinado paciente contar seus traumas ou dramas familiares por anos, outra é interagirmos face a face com todos que causaram impacto no sujeito. A primeira prescrição para a terapia familiar é justamente esta condição: quando todos se percebem afetados por mecanismos neuróticos que impedem seu desenvolvimento, sendo a função do terapeuta dizimar o medo e vergonha no âmbito familiar, estimulando o livre fluir da comunicação, analisando todos para se descobrir à base de conflito que espelham, assim como o que há de comum no sofrimento de seus membros. Há muito se fala da função e importância da família em todos os sentidos do desenvolvimento da personalidade, mas se esquece que na prática do relacionamento encontramos uma defasagem ou até mesmo indolência das partes para interagirem.

 

A família é simplesmente o depositário de vários processos sociais do tipo: competição, disputa de poder, inveja, ciúmes dentre outros. Quem será o preferido, que membro sistematicamente se sente excluído ou rejeitado, qual pessoa não consegue lidar com a mágoa em relação aos genitores. Notem que o núcleo de algo que parecia servir exclusivamente à proteção e afeto se transforma num apêndice do que vivemos em outras relações sociais. Diria que a família é o treino mais fiel de como uma pessoa incorpora e lida com os mecanismos e sentimentos tanto positivos quanto negativos. A psicanálise clássica enfocou muito a questão familiar ao tratar das primeiras relações infantis entre pais e filhos, ou o famoso “complexo de Édipo”. Embora tal abordagem tenha inegavelmente seu papel histórico, o impacto social de tal visão se tornou negativa por alguns aspectos, pois há quase que um perdão ou piedade por parte da psicologia por quem sofreu determinado trauma ou rejeição, se esquecendo da imperiosidade de lidar com a satisfação e prazer da atualidade. O projeto psicológico deveria se ater principalmente no porvir. Outro ponto curioso é que se colocou como algo um tanto não ético se atender dois ou mais membros de uma mesma família. Sempre deixo claro que o resguardo da ética não é apenas tarefa do profissional, mas também dever do paciente não relatar coisas ou intimidades para pessoas desprovidas da capacidade de visão perante determinado contexto, e manter também o sigilo mesmo em relação aos outros membros da família.

 

O ponto que poucos perceberam é que quando a família se perde ou bloqueia sua função afetiva e sentimental, o espaço da mesma se transforma numa espécie de “hotel”, apenas acomodando os princípios básicos de moradia, alimentação ou higiene. Praticamente ninguém discute entre si ou com os filhos as obrigações coletivas entre membros que vivem juntos no tocante a forma como se relacionam. Há décadas o maior erro possível é a conversão para o lado material, se alimentando todas as vontades dos filhos, para compensar a ausência ou deficiência no plano pessoal. Priorizar o materialismo é bloquear a capacidade de relacionamento e gosto por conviver livremente, sem nada em troca. A família moderna corrompe a criança desde cedo, subornando-a naquilo que tem de melhor; o amor puro, ensinando rapidamente a troca natural por interesse. Tal fato se repete na educação, dando presentes por boas notas; os pais devem passar a mensagem que a criança está estudando para ela, não para agradar os mesmos, ou angariar vantagens e barganhas; sendo antes de tudo seu futuro, garantia de sobrevivência e principalmente independência. O leitor irá se perguntar o que todos esses conceitos até moralistas de certa forma têm em comum com a questão da psicoterapia familiar. A criação de um espaço de reflexão e debate é fundamental em qualquer processo terapêutico ou educacional. A mudança só advém na troca de opiniões ou conflito positivo entre as partes evolvidas num convívio diário.

 

A educação e mesmo a família devem ser a ponte do privado para o público, e é exatamente neste ponto que surgem os entraves psicológicos. Um dos mais apavorantes em nossa era é com certeza a timidez, sendo uma espécie de escudo contra situações de prova ou rejeição. O *tímido desafia por completo sua obrigação para o convívio social, sabotando oportunidades de encontro ou interação. Uma das funções da psicoterapia familiar é atuar de forma enérgica contra a timidez, estimulando que a pessoa acometida de tal distúrbio perceba o mal que causa a si própria e para o outro perante a retenção de seus afetos. A família deve lutar contra a tendência ao isolamento de algum membro, sendo a terapia um suporte para isso. Desejar que o outro pudesse sempre mostrar seu afeto talvez seja uma das muitas definições para o que se chama de amor. Um dos maiores entraves para a aplicação de medidas pedagógicas ou limites fundamentais é sem dúvida o problema da culpa. Tal sentimento é o maior inimigo da educação no sentido profundo, pois é a entrega do poder dos pais para a chantagem emocional da criança. Se um pai não sabe dosar a hora de mostrar sua compaixão, a utilizando indiscriminadamente, sem dúvida alguma o mesmo perdeu o referencial de liderança para o pleno desenvolvimento da criança, e esse é um fato gravíssimo.

 

Outro ponto que me causa espanto no decorrer da terapia familiar é como os membros desconhecem por completo a reprodução de comportamentos ou atitudes idênticas às de seus antepassados. Quando uma criança expõe determinado medo ou trauma, logo em seguida o genitor se dá conta de ter passado pelo mesmo processo na mesma época ou idade da criança. Tem se atribuído tal fenômeno a uma característica mental hereditária, o que do ponto de vista psíquico é totalmente incorreto. Diria que a coisa está mais para aspectos parapsicológicos, que certamente serão estudados num futuro próximo; é como uma espécie de (P.E.S)- percepção extra sensorial, ativada na criança não apenas pelo convívio com os pais, mas uma forma inconsciente desta revelar que o conflito dos mesmos ainda continua vivo e necessita ser trabalhado; o problema é que tal ajuda da criança pode lhe custar uma neurose para o resto de sua vida; assim sendo, os pais deveriam ficar atentos para essa questão. Obviamente não se trata de se tornar paranóico, até porque aquele tipo de pai que consome todo tipo de manual de como acertar na educação é justamente o que muitas vezes comete várias faltas. O espaço para o erro faz parte da construção da personalidade, sendo que todos têm de lidar com suas questões falhas ou incompletas.

 

A questão do homossexualismo detectada em um membro da família é outro ponto central para a prescrição da psicoterapia familiar. É interessante como tal condição afeta muito mais os familiares do que o indivíduo que se descobre e se assume como homossexual. A angústia e aflição nestes casos chegam ao auge, sendo que os pais vão à terapia para saber “em que pontos erraram”. Temos de ser sinceros ao descrever que uma condição homossexual trará certamente preconceito numa sociedade como a nossa, mas o desespero em alguns casos diz muito mais da própria infelicidade dos pais no âmbito afetivo. Que a sociedade não gosta ou segrega as diferenças todos sabem, mas outra coisa é se lamentar ou iniciar uma cruzada para impedir que alguém tome um rumo diferente. A imposição neste quadro não é de forma alguma uma preocupação sadia com o membro que escolheu tal caminho; não podemos nivelar processos distintos, tratando o homossexual como se fosse um drogado; aliás, já ouvi centenas de vezes que determinados pais prefeririam tal condição à homossexualidade, não é incrível como a vergonha se transforma na mais arrogante ditadura?

 

A terapia de casal muitas vezes acaba se transformando na terapia familiar, principalmente quando os filhos refletem comportamentos diários equivalentes aos dos genitores em sua relação conjugal. Que a criança espelha os pais é óbvio, até em pontos inconscientes como pontuei acima, mas permitir que a mesma “brinque” com emoções que possam lhe traumatizar é no mínimo uma espécie de violência contra a mesma. Os casais de hoje se perguntam até que ponto pode ou não se discutir o relacionamento na frente dos filhos, e que impacto advém de tal atitude. Não há uma regra determinada para o que pode ou não ser dito; é tão nocivo ficar brigando corriqueiramente perante uma criança, quanto àquele casal que nunca mostra a parte do ser humano falível, criando um ambiente familiar ficcional, que contradiz a própria estrutura social, não mostrando que o mundo também é composto de elementos de extremo conflito. Não é apenas a forma como se discute que pode abalar uma criança, o trauma ocorre quando a mesma já anteviu a morte do relacionamento, ou sua continuidade apenas por imposição social, sendo a própria criança instrumento dessa cruel condição afetiva. Nenhuma criança em nossa atual sociedade é tola, todas percebem claramente o ponto de exaustão da relação. Quando a mesma insiste que os pais permaneçam no relacionamento apesar da gritante incompatibilidade, fica claro está tomada pelo desejo ou vício de experimentar as mais profundas sensações ou emoções negativas, como o ódio, por exemplo. Sobre tal infortúnio a tradição cristã inexplicavelmente não se posiciona. A criança apenas se sentirá traída quando a separação significar desistência de um ou ambos perante um processo que poderia ser resgatado, quando se fracassou numa tarefa ainda incompleta, mas que por medo seus atores interromperam a vivência prematuramente.

 

Enfim, a função primordial da terapia familiar não é impor ou julgar nenhum conceito ou traço moral, mas ajudar os pais a transcenderem papéis básicos, lhes mostrando que proporcionar conforto, satisfazer as necessidades básicas dos filhos ainda é incompleto, mas mostrar a dicotomia afetiva e emocional, assim como as decepções e perdas são fundamentais para a arte de viver. Quanto aos filhos, o melhor que a terapia pode fazer é desobstruir as diferentes travas que impedem o pleno desenvolvimento de suas potencialidades.

 

Site baseado na experiência clínica do autor.

 

Agradecimento ao doutor em sociologia: IRINEU FRANCISCO BARRETO JÚNIOR.

 

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